Viver e trabalhar no Japão é o sonho de muitos brasileiros. O interesse pelo país pode ter diferentes origens. Alguns se encantam pela tradição e a cultura milenar, outros são admiradores dos mangás, animes ou games, e há quem sonhe com a segurança e bem estar social que fazem parte do cotidiano de países desenvolvidos.

O Japão conta com uma comunidade de quase duzentos mil brasileiros e esse número vem subindo nos últimos anos. Porém, a grande maioria destes brasileiros é de descendentes de japoneses, que devido ao vínculo familiar, pode obter o visto de trabalho.

Se você não é descendente de japoneses, mas por algum motivo tem o desejo de trabalhar na Terra do Sol Nascente, saiba agora quais são suas possibilidades.

Visto de Trabalho Não Especializado

ATENÇÃO: Antes mesmo de explicar como ir para o Japão sem ser descendente, gostaria de esclarecer a dúvida mais comum sobre este assunto: para trabalho em fábricas, sem especialização especial ou formação acadêmica específica, os vistos são concedidos somente para descendentes de japoneses até a terceira geração, cônjuges e filhos.

Os yonseis, ou seja, descendentes de quarta geração, maiores de dezoito anos, também podem requerer o visto de trabalho, porém as condições são diferentes e infelizmente não é extensivo à família.

Para saber mais a respeito de visto para descendente de quarta geração clique aqui.

Cônjuge de Descendente

Os cônjuges, ou seja, maridos ou esposas de descendentes até a terceira geração, podem obter o Visto de Trabalho no Japão. O visto inicial pode ser de um a três anos, mas para cônjuges costuma ser emitido inicialmente de um ano.

trabalho no japao para nao descendentes - casal

Na renovação do visto, o prazo será também de um a três anos e poderá ser renovado por tempo indeterminado. Quando for renovar o visto, o marido ou esposa do descendente deverá apresentar comprovação de vínculo, ou seja, Certidão de Casamento. Caso o casal se separe, o cônjuge perde o direito à renovação do visto.

Os descendentes podem solicitar o visto permanente após um ano vivendo no Japão, para caso de nisseis (descendente de segunda geração) e de cinco anos para o caso de sanseis (descendentes de terceira geração). Quando o descendente solicitar o visto permanente, o cônjuge e os filhos do casal poderão ser incluídos e será feito um pedido familiar. Após a obtenção do visto permanente, mesmo no caso de separação, o cônjuge permanece com o visto.

Cônjuge de Cidadão Japonês

Os cônjuges de cidadãos japoneses tem direito ao Visto de Longa Permanência e podem requerer o Visto Permanente após o cinco anos de residência no país.

No Japão há o costume de adoção de adultos, seja em caso de casamento com estrangeiros ou no caso de famílias que não possuem descendentes para continuar o nome e a tradição familiar. Portanto é possível que, no caso de um estrangeiro se casar com um japonês nativo, a família japonesa possa adotar o cônjuge estrangeiro, que passará a ter nacionalidade japonesa, caso este seja o desejo de ambas as partes.

Visto de Trabalho

Quando falamos de trabalhar no Japão como um profissional qualificado, parece uma realidade impossível de ser alcançada, mas não é.  A grande dificuldade é a seguinte: para obter o Visto de Trabalho no Japão para não descendentes, será necessário apresentar, junto à documentação, um Certificado de Elegibilidade, emitido pela empresa onde o profissional irá trabalhar. Ou seja, é necessário já ter uma vaga garantida em uma empresa no Japão que quer contratar especificamente você.

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Os vistos desta modalidade normalmente são concedidos a executivos estrangeiros que vem trabalhar em grandes empresas. Porém, há muitos casos de profissionais de diversas áreas que são contratados por empresas japonesas para atuar no Japão.

O visto é emitido com prazo de um a três anos e pode ser renovado. Se durante o período de validade do visto o Contrato de Trabalho for cancelado, não há obrigatoriedade de deixar o país, pois o visto continua válido e o profissional poderá iniciar uma atividade em outra empresa.

O Japão tem modalidades específicas de atuação profissional que atendem aos critérios de concessão de Visto de Trabalho. De acordo com o site do Consulado do Japão, em São Paulo, as áreas disponíveis são: professor, artista, atividades religiosas, jornalista, gerente de investimentos ou negócios, serviços legais ou contabilidade, serviços médicos, pesquisador, instrutor, engenheiro, especialista em humanas ou serviços internacionais, transferência na mesma empresa, trabalhos qualificados, entretenimento.

Para conseguir vir para o Japão com um Visto de Trabalho você não precisa ser mais qualificado que qualquer japonês ou o melhor profissional do mundo, mas você precisa ter um diferencial. Muitas vezes as empresas precisam justamente de um profissional estrangeiro que traga uma visão diferente para agregar valor à equipe de trabalho, e você pode ser esta pessoa.

Outro grande valor no mercado de trabalho japonês é o conhecimento em línguas, em especial o inglês. Isso não significa que você não precisa falar o idioma japonês, mas o domínio do inglês é extremamente importante. Ter uma boa noção de japonês é essencial, mas a exigência do nível da língua vai variar muito de acordo com a empresa onde você vai trabalhar.

Dica especial da Haru: se você é profissional da área de informática e pensa em um desafio de alto nível no Japão, tem uma empresa que pode ser a solução para você. A Spotted Recruit busca profissionais  para trabalhar em startups da área de tecnologia, baseadas no Japão. Entre no site da empresa e confira mais informações.

Visto de Estudante

Entrar no Japão com um Visto de Estudante é uma excelente opção. Primeiro, porque há diversas oportunidades de bolsas de estudos e dependendo da bolsa para a qual você se classifique, além de uma ajuda de custos mensal, você terá despesas cobertas até mesmo para as passagens aéreas.

Outra vantagem de vir para o Japão como estudante é que, você vai adquirir conhecimento da língua, da cultura e uma boa noção sobre a realidade do mercado de trabalho japonês. Este conhecimento será um grande diferencial caso você queira um emprego no Japão após concluir os estudos.

O Visto de Estudante é de até dois anos e pode ser renovado indefinidamente. A Instituição de Ensino do Japão, onde você será matriculado, se encarregará de providenciar o Documento de Elegibilidade para a solicitação do visto.

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Quem possui Visto de Estudante pode trabalhar, porém deve ser somente trabalhos com  carga horária reduzida e deverá solicitar autorização à Instituição de Ensino onde está matriculado. Alguns portais de empregos que oferecem boas opções são: GaijinPotWantedly e Craiglist.

As bolsas oferecidas são muitas, em diversas áreas e diferentes níveis de conhecimento. Dependendo da instituição escolhida há bolsas para cursar: ensino médio, curso profissionalizante, graduação, cursos técnicos de nível superior, pós-graduação, mestrado, doutorado, estudo da língua e cultura japonesa e também formação de professores de educação infantil, fundamental e ensino médio.

Um blog muito interessante de acompanhar é o Japan Space. O Nishi tem experiência de sobra para contar, é a terceira vez que ele está no Japão utilizando as oportunidades de bolsa de estudo. Visite pois vale a pena.

Caso você não seja aprovado para bolsas das principais instituições, há também a chance de ir para o Japão fazer um curso de japonês em uma escola especializada em idiomas ou um intercâmbio. Nestes casos é bom ter uma reserva financeira pois haverá custos com o curso, hospedagem, alimentação e passagens. Um bom site para pesquisa desta opção é o Gogonihon.

Abaixo há uma lista com as principais instituições que oferecem bolsas de estudos no Japão. Para mais informações acesse a página do Consulado Geral do Japão, em São Paulo. Lá há muita informação interessante.

Principais Bolsas para Estudo no Japão

MEXT (Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia)

O Governo do Japão, através do MEXT, oferece seis diferentes modalidades de Bolsas de Estudo para estrangeiros em universidades japonesas. No Brasil, O processo seletivo para as bolsas MEXT é realizado pelos Consulados, Escritórios Consulares e Embaixada.

JICA – JAPAN INTERNATIONAL COOPERATION AGENCY

A JICA, oferece diversas Bolsas de Estudo, para diferentes áreas e faixas etárias em toda a América Latina. A duração varia de 1 mês a 2 anos.

FUNDAÇÃO JAPÃO 

A Fundação Japão oferece diversas bolsas a artistas, pesquisadores e professores brasileiros, descendentes ou não, que estiverem desenvolvendo trabalhos relacionados à língua ou cultura japonesas.

JSPS – JAPAN SOCIETY FOR THE PROMOTION OF SCIENCE

A JSPS oferece Bolsas de Estudo para pesquisadores de diversos países. Essas bolsas são destinadas a pesquisadores que queiram fazer o doutorado ou já tenham o título de doutores em qualquer área de especialização.

ROTARY INTERNATIONAL 

A Fundação Rotária do Rotary International é uma organização não governamental sem fins lucrativos, que promove a paz e a compreensão mundial através de programas internacionais humanitários, educacionais e de intercâmbio cultural. Um dos programas, conhecido como PROGRAMA EDUCACIONAL, oferece Bolsas de Estudo e Intercâmbios Culturais.

AFS INTERCULTURA BRASIL (AMERICAN FIELD SERVICE)

Esta organização não governamental e sem fins lucrativos tem uma política de concessão de Bolsas de Estudo que a diferencia de outros programas de Intercâmbio Cultural. As bolsas são integrais ou parciais e poderão ser obtidas de 2 maneiras: através de empresas parceiras e através do Fundo Nacional de Bolsas.

AOTS

Com o intuito de incentivar o desenvolvimento mútuo e as relações de amizade entre o Japão e as demais nações, a AOTS oferece vários cursos de treinamento no Japão. Estes programas têm o suporte do METI – Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão e, no caso dos Programas Técnicos, também de empresas privadas japonesas.

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