Morar no Japão tem muitos pontos positivos e pode ser muito gratificante. Porém, é claro que para os brasileiros, há também as dificuldades de morar no Japão.

Conheça mais sobre as dificuldades da vida no Japão. Quais os principais problemas no dia a dia dos brasileiros que vivem e trabalham do outro lado do mundo.

1-Saudades

Esta é uma questão sempre presente na vida dos brasileiros que moram por aqui e também o motivo de muitos retornos para o Brasil.

Existem casos em que as famílias inteiras estão no Japão, e desta maneira fica mais fácil a adaptação. Mas isso é exceção, em geral algum membro da família sempre ficou em terras brasileiras e a saudade acaba incomodando.

dificuldades em morar no japao - saudade - AGENCIA HARU

Mas não é somente da família deixada no Brasil que sentimos falta, também sentir saudades dos amigos, da cidade em que moramos e principalmente de estar no nosso país, com nossa gente, do nosso jeito.

Por mais que aqui no Japão exista uma comunidade brasileira numerosa, estar no Brasil é muito diferente. Alguns sentem falta do happy hour com os colegas na sexta-feira, outros do almoço de família no domingo, ou simplesmente de falar no seu próprio idioma em qualquer lugar onde vá.

2-Calor humano

Há muitas diferenças entra brasileiros e japoneses, mas a principal certamente é a maneira de se relacionar com as pessoas. Os japoneses são muito reservados e isso se reflete na sua maneira de interagir com os outros. Em consequência as relações se tornam mais formais e distantes.

No Japão as pessoas não tocam umas nas outras, nem mesmo para se cumprimentar. Abraços e beijos nem pensar, e nem sequer um aperto de mão. Isso não acontece somente em relações sociais mas também entre amigos e até familiares.

dificuldades em morar no japão - abraço - AGENCIA HARU

Os japoneses tem muita dificuldade em expressar seus sentimentos e agir com espontaneidade, o que também torna as relações mais superficiais e cheias de formalidade.

A maioria dos brasileiros que vivem aqui há muitos anos e principalmente os que cresceram aqui, mesmo tendo convivência com brasileiros, acaba se comportando de uma maneira parecida com os japoneses.

Por causa de tudo isso os brasileiros que estão habituados a demonstrações de carinho e relações mais calorosas sentem muita falta do calor humano em suas relações sociais. Esta situação é mais presente ainda na vida de quem convive mais com japoneses do que com outros brasileiros.

3-Desastres Naturais

Este e um assunto que assombra qualquer pessoa que mora no arquipélago japonês, tanto os nativos quanto os estrangeiros. Ouvimos muito falar dos temidos terremeotos, mas na verdade aqui a lista de desastre naturais é bem recheada e conta também com furacões, tufões, tsunamis e erupções vulcânicas.

Uma boa parte do país se encontra sobre o chamado ¨Círculo de Fogo do Pacífico¨, que se trata de uma área onde há um grande número de terremotos e uma forte atividade vulcânica.

Quando se trata de tufões ou furacões não há tanta preocupação pois o Japão conta com um serviço de meteorologia exemplar, e com os alertas podem ser tomadas medidas cabíveis.

As erupções vulcânicas, em geral também podem ser previstas, porém muitas vezes a intensidade ultrapassa a previsão. Como se trata de uma catástrofe natural, claro que também podem haver surpresas.

Mas o que mais assusta mesmo são os terremotos pois são imprevisíveis e os estragos podem ser catastróficos. Um dado que não nos deixa nada confortáveis é que um em cada cinco terremotos no mundo, com magnitude superior a seis graus na escala Richter, atinge o Japão. Se pensarmos que o Japão é um pedacinho de terra bem pequeno em relação ao mundo todo, então esta estatística é bem assustadora.

4- Comida

Quando o assunto é comida japonesa as opções se dividem, alguns brasileiros amam e outros detestam. Para quem não quer abrir mão de um bom arroz com feijão a adaptação à culinária oriental pode ser bem difícil.

Quando moramos no Brasil é comum pensar que comida japonesa se resume à sushi e sashimi, mas chegando ao Japão podemos ver que a realidade é bem outra. A culinária do dia a dia no Japão inclui basicamente arroz, missoshiro, frutos do mar, carne de porco ou frango, vegetais, conservas e muita fritura.

dificuldades em morar no japao - comida - AGENCIA HARU

Até ai tudo bem, certo? Mais ou menos, na verdade muitas vezes o problema está no tempero. A maioria dos pratos japoneses não leva sal no preparo, mas o açúcar costuma estar presente e quase todos. Outros temperos muito usados nos pratos japoneses são o vinagre, molho de soja, missô e curry. Muitos brasileiros não gostam das combinações destes temperos, e principalmente não curtem pratos adocicados e neste caso acabam sofrendo com a adaptação.

Quem tem dificuldades com a diferença de paladar pode optar por fazer uma comida mais brasileira em casa. Neste caso deve preparar o bolso, pois embora existam mercados e websites que vendem produtos brasileiros, o preço pode sair salgado para quem usa os produtos diariamente.

5- Preconceito

A questão do preconceito em relação aos estrangeiros tem melhorado muito no Japão nas últimas décadas, mas não podemos dizer que é um assunto resolvido. Até os dias de hoje os estrangeiros ainda sofrem muito no Japão com a diferença de tratamento.

dificuldades de morar no japao - preconceito - AGENCIA HARU

Infelizmente , até os dias de hoje, há muitos japoneses que tem resistência a tudo que é diferente. Aqui existe um ditado que transmite esta ideia: ¨Prego que se destaca é martelado.¨ Desta forma, muitos japoneses acabam desenvolvendo um sentimento de preconceito, não só em relação aos estrangeiros, mas também pessoas de classe social mais baixa, mães solteiras, pessoas com tatuagens ou qualquer outra característica fora do padrão de normalidade que eles estabeleceram.

A pior forma de discriminação acontece nas escolas, pois afeta crianças e jovens que são mais frágeis e por isso tem menos condições de lidar com o problema. O bullying nas escolas, ou ijime em japonês, é um grande problema hoje no Japão, e muitas das vítimas são estrangeiros.

Uma forma de diminuir o preconceito é conhecer melhor a língua e os costumes do país. Quando podemos nos comunicar oferecemos aos outros a oportunidades de nos conhecer e formar uma ideia nova a nosso respeito, sem preconceito ou estereótipo. Sabendo mais dos costumes evitamos ofender, de alguma forma, as crenças e hábitos locais, assim fica mais fácil causar uma boa impressão.

É preciso ter em mente que o Japão é um país que teve uma história de muitos séculos de total reclusão em relação ao mundo exterior e mesmo depois de passar por um grande desenvolvimento e modernização o povo japonês é muito apegado às tradições culturais.

A trajetória da imigração de descendentes para trabalhar no Japão ainda é muito recente, pouco mais de trinta anos, e a aceitação dos estrangeiros é gradativa. Nesta três décadas muitas melhoras já foram conquistadas pela comunidade brasileira em relação à equiparação de direitos e benefícios, mas ainda há muito a conquistar, principalmente para os que tem intenção de fixar moradia no país.

Outra questão importante é manter sempre um comportamento correto, respeitar as leis e as normas da sociedade, pois esta é nossa maneira de não colaborar para a manutenção de um sentimento tão negativo como o preconceito.

6- Jornada de Trabalho

A grande maioria dos brasileiros que vive no Japão trabalha em fábricas, em diferentes segmentos. Nas fábricas a jornada de trabalho pode ser muito puxada. A carga horária regulamentar é de oito horas diárias, mas a maior parte dos trabalhadores estende a jornada em duas ou três horas extras com muita frequência.

dificuldades em morar no japao - carga horaria - AGENCIA HARU

Dependendo do segmento onde se trabalha, as horas extras são necessárias somente em determinadas épocas do ano, como por exemplo na indústria de automóveis. Já em outros segmentos, como alimentação, costuma haver necessidade de trabalho em horas extras o ano todo.

Em algumas fábricas existem horas extras fixas de até três horas diárias, durante o ano todo. Isso significa que o funcionário ficará no local de trabalho por doze horas, além do tempo de deslocamento de casa para o trabalho, durante o ano todo. Outras fábricas acabam levando os trabalhadores ao limite de sua capacidade com jornadas de até dezesseis horas diária.

A lei trabalhista japonesa se aplica também aos estrangeiros, sem diferenciação e existem normas para inibir tais excessos, mas ainda há locais que descumprem as normas e por isso o trabalhador deve estar ciente dos seus direitos e deveres. Clique aqui para saber o que a lei Trabalhista diz sobre Jornada de Trabalho.

O outro vilão das jornadas de trabalho no Japão é o trabalho noturno, ou como dizemos aqui, Yakin. A maior parte das fábricas, principalmente as de grande porte, faz um aproveitamento total de seus parque industrial, garantindo que as máquinas produzam durante vinte e quatro horas diárias. Assim os trabalhadores precisam se revezar em dois ou três turnos para manter as máquinas em funcionamento.

Quando o trabalho é em período noturno fixo, acaba havendo uma adaptação do corpo, embora não seja uma rotina ideal. Porém atualmente no Japão é comum a alternância de horários, onde o trabalhador alterna jornadas noturnas e diurnas em geral com intervalos de uma a duas semanas. Esta mudança constante de horários pode trazer um grande impacto negativo para a saúde do trabalhador.

Essa rotina de horas excessivas de trabalho e alternância de horários é bem diferente da realidade da rotina de trabalho no Brasil, por isso muitos brasileiros tem dificuldades de se adaptar.

É claro que você pode pensar: ¨- Mas tem trabalho somente diurno e sem hora extra¨. Você está correto, as horas extras e trabalho noturno podem até ser uma opção, em alguns casos, mas para quem restringe tanto assim as opções na hora de procurar emprego, as ofertas podem ser poucas ou os salários mais baixos.

Como o salário no Japão é calculado por hora de trabalho, e as horas extras e também horas noturnas são pagas com acréscimo (no mínimo 25% de acréscimo para cada) acaba sendo tentador fazer muitas horas extras pois a compensação financeira é bem vantajosa.

Porém é preciso manter cuidados com a saúde e a qualidade de sono pois de nada adianta uma conta bancária recheada se não temos saúde para desfrutar os benefícios.

7- Idioma

Claro que esta não é uma dificuldade para todos da comunidade, pois muitos dominam o idioma ou até mesmo tiveram a língua japonesa como primeiro idioma aprendido em casa, com os pais e avós. Porém,  grande parte dos brasileiros que vive no Japão não fala o idioma japonês e convive com as limitações de morar em um país desconhecendo a língua local.

dificuldades em morar no japao - lingua - AGENCIA HARU

Quando, no final da década de 1980, o governo japonês decidiu incentivar a vinda de nikkeis para trabalhar no Japão, havia a expectativa de que estes saberiam falar o idioma, porém desde as primeiras levas de descendentes, a dificuldade com a língua já era uma realidade. Mesmo quando os descendentes diretos dominavam o idioma dos seus pais ou avós, havia os cônjuges e filhos, que não tinham o mesmo conhecimento.

Após três décadas de imigração a situação em relação ao idioma só piorou. Hoje a quantidade de imigrantes Nisseis (descendente de segunda geração) já é muito pequena e a maior parte dos Sanseis (descendente de terceira geração) não tem conhecimento da língua japonesa.

Sem conhecer o idioma os estrangeiros acabam vivendo, de certa forma, à margem da sociedade. muitas vezes deixam de usufruir de serviços e benefícios a que tem direito devido à falta de informação. Os estrangeiros pagam os mesmos impostos que os japoneses e tem os mesmos direitos, mas por desconhecerem estes direitos ou não saber como recorrer a eles acabam sendo prejudicados.

A sociedade japonesa tem uma forte tradição associativista, sempre se organizam em cooperativas e associações e se engajam em serviços comunitários e sociais. Como os estrangeiros não dominam o idioma acabam impossibilitados de participar da vida social da comunidade e se inserir na sociedade.

Com a restrição do idioma todos os aspectos da vida cotidiana ficam limitados, o acesso a cursos de formação profissional e desenvolvimento pessoal, acesso à rica vida cultural do Japão, restrição no mercado de trabalho mesmo para quem tem experiência profissional e formação acadêmica no Brasil. Até mesmo aspectos simples da vida diária, como passeios, compras, idas a restaurantes, ao banco ou aos correios, se tornam complicados.

Para quem pretende ficar no país por um período mais longo, ou de forma definitiva, fica uma dica importante: mesmo com a dificuldade de uma jornada longa de trabalho, encontre um tempo para dedicar ao aprendizado da língua japonesa e melhore aa condições e qualidade de vida, tanto pessoal como familiar. Leia também o post que nosso amigo André Tamura escreveu sobre sua experiência no Japão.

Fonte: Mundo Educação, Wikipedia.

 

 

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